Medidas simples reduzem em 18,5% casos de sepse tardia em prematuros no Brasil

Um conjunto de medidas simples, aplicadas de forma organizada e sem custos adicionais, conseguiu reduzir em 18,5% os casos de sepse tardia em bebês prematuros de muito baixo peso internados em UTIs neonatais no Brasil.

Os resultados fazem parte de um estudo coordenado por pesquisadoras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), divulgado no dia 12 de março de 2026. A pesquisa foi realizada em unidades ligadas à Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais.

A iniciativa integra o projeto DownLOS, voltado ao enfrentamento da Sepse Tardia (Late Onset Sepsis – LOS), uma infecção grave que surge após os primeiros dias de vida e, na maioria dos casos, é adquirida no ambiente hospitalar. A condição é uma das principais causas de morte entre prematuros, especialmente aqueles com menos de 1,5 kg.

Antes da intervenção, o cenário era considerado preocupante. A incidência da doença variava em torno de 25% e chegou a 30% em 2020, o que motivou a criação do projeto com foco na redução de infecções dentro das UTIs neonatais.

Entre as principais estratégias adotadas está o uso mais criterioso de antibióticos. Embora essenciais em diversos casos, o uso excessivo pode comprometer o equilíbrio das bactérias no organismo do bebê, favorecendo infecções mais graves. Com o ajuste na prescrição, foi possível reduzir esse risco.

Outro fator decisivo foi o incentivo ao aleitamento materno. O leite materno contém anticorpos e substâncias que fortalecem o sistema imunológico dos recém-nascidos, além de contribuir para o desenvolvimento de uma microbiota intestinal mais saudável, aumentando a capacidade de defesa contra infecções.

Os resultados indicam que mudanças simples na rotina hospitalar podem gerar impactos significativos na saúde de prematuros, reforçando a importância de práticas baseadas em evidências no cuidado neonatal.

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