Às vezes, os olhares se comunicam mais do que qualquer palavra. Os olhos explicam e justificam; lutam e, quando já não há forças, rendem-se. Acolhem silenciosamente e também sabem dizer adeus. Com eles apreciamos e, por vezes, desprezamos. É pelo olhar que convidamos alguém a construir uma vida conosco — e é também por ele que, um dia, a entregamos a outro caminho.
No brilho ou na ausência dele, abrimos mão de sonhos ainda latentes quando a esperança já não encontra morada. Nos olhares escondemos verdades, medos e sofrimentos, mas é por meio deles que a dor mais angustiante encontra passagem. Há lágrimas que nascem antes mesmo de cair, anunciadas apenas por um olhar cansado.
Quando os olhos se fecham, parece que todos os significados se recolhem, como se fossem guardados em uma sala escura da memória, onde o silêncio fala mais alto. Os olhos são, afinal, o espelho do coração: refletem o que a boca não ousa dizer e revelam o que a alma tenta esconder.
Ah, quem dera eu pudesse decifrar todas as linhas dos olhos, compreender cada história ali escrita, para transformar em alegria cada coração ao meu redor.


